"Roger, do Inter, é jovem, solteiro e pode ter quantas namoradas quiser. Só não pode marcar encontros amorosos na concentração. Faço a revelação, que poderá que me causar incomodações e constrangimentos, apoiado na expectativa de que ele assuma um comportamento profissional adequado e não empurre a fortuna para longe. A natureza o dotou de virtudes capazes de torná-lo um homem rico. Não é possível que seja incapaz de perceber o mal que está fazendo a si próprio. Ou que não tenha um amigo ou familiar para fazê-lo despertar. Embora muitas vezes não haja conselho que sensibilize. Em mais de 30 anos de convivência próxima com o futebol, já penalizaram-me vários exemplos de jovens que trocaram a realização financeira por uma vida obscura, sacrificada e miserável. Será este o objetivo de Roger? A felicidade está ao seu alcance, só depende dele. Basta que não chute para escanteio o que recebeu de graça. Estas considerações valem, também, para o Sidnei."
Caso o teor desta revelação seja procedente, espanta-me o começo de carreira turbulento do Roger. Ele teve uma ascensão meteórica: saiu diretamente dos campos de várzea para figurar no elenco de um dos principais clubes do mundo. Mesmo assim, é constantemente acusado de não ter se adaptado à condição de atleta profissional. Considero o Roger um jogador com um bom potencial: em quase todos os fundamentos (passe, drible, chute, visão de jogo, previsão da jogada, marcação...) é razoável, nada brilhante, simplesmente satisfatório e bom, mas, em compensação, sua condição atlética, ou melhor, sua capacidade de movimentação, arranque, manutenção de velocidade é excelente. Temo que não resista à campanha contra o seu afastamento. Ele próprio é o único capaz de se defender: menos com palavras do que com atitudes. Não é a minha intenção fazer um relatório dos "escândalos" em que ele já se envolveu neste curto espaço de tempo. Tampouco farei o papel do delator condescendente de sua estrutura familiar e sócio-econômica. Já passou da hora de conquistar a maioridade.
Confesso, contudo, que este texto do Wianey Carlet me pareceu um pouco obscuro. Primeiramente, espero que ele esteja sedimentado em dados concretos e verdadeiros. Quero acreditar que não seja leviano a ponto de criar uma polêmica tão séria sobre falsos boatos. Confiarei em seu histórico jornalístico. Porém, causou-me um pouco de desconforto. Em especial, cito a frase que finaliza este trecho, onde ele aconselha, oscilando entre o tom ameaçador e paternal, o Sidnei. Apesar da defesa intransigente do profissionalismo e de deixar transparecer um vago sentimento paternal, o texto se enquadra parcialmente na categoria do patrulhamento. A publicação deste suposto ato de indisciplina (ou deslize profissional), a meu ver, torna o ambiente ainda mais hostil para o Roger; também poderia sugerir uma crise no comando do grupo - exatamente no momento que o Inter se estabiliza (o que me faz concluir que se trata de uma crise fictícia - e que se limita meramente aos indivíduos mencionados). Independentemente do tom assumido, a "acusação" incinera uma espécie de microharmonia que o time estava encontrando. Não é à toa que o Sant'Anna identifica Wianey como um Torquemada. Esta decisão de atear fogo em Roger, logo após o jogador se contundir, e gerar uma onda de pressão sobre o jogador, é, no mínimo, uma atitude imprópria. Suas dissimuladas boas intenções são artifícios de comércio jornalístico. Entendo que um momento apropriado para divulgá-las seria quando Roger pudesse responder em campo. O papel em campo é a maior prova de profissionalismo. De outro lado, o jogador deve desfrutar de, pelo menos, igual publicidade para relatar sua versão sobre o fato - e, se realmente deseja jogar futebol profissional, defender-se mesmo que a revelação seja verdadeira: sem pedir desculpas e fazer falsas promessas, sem bom-mocismo e pio consentimento, mas com uma atitude firme e segura de quem está contribuindo para progredir na carreira, de quem está realizando um bom trabalho para o clube e cumprindo suas atribuições. Penso que o Wianey contribuiria mais se nos privilegiasse com uma opinião acerca do aproveitamento do Roger no meio-campo do Inter, ou sobre a constituição da estrutura do time...
Ah, e mais, alguém ainda tem que me explicar o prejuízo do sexo na concentração! Eu preciso conhecer a teoria franciscana da concentração do futebol.
PS: Pelo menos, se o Dallegrave fragá-lo, não teremos velhinhos horrorizados como no Olimpico. (rs)
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