quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Programação de Férias

Não entendo a polêmica criada a partir da programação de férias anunciada pelo Inter. Quer dizer, entendo. Mais um artifício para criar notícia. As férias são um direito previsto em lei. Se há entendimento entre o empregador e os trabalhadores, não há motivo para tanto queixume. Aliás, só faltava essa: a imprensa querer definir o período de férias para os jogadores do clube. É simples: o Inter foi convidado para um torneio internacional que contará com outros três grandes clubes do mundo e que será realizado em datas que geralmente são ocupadas pelas férias. É um torneio de excelente retorno financeiro - e, felizmente ou não (o que é discutível), de bastante visualização para os jogadores - e conseqüentemente para o clube. O Internacional também já não tem grandes objetivos neste Campeonato Brasileiro. Acho, inclusive, que chegará à Copa Sul-Americana mesmo com esta virtual "desmotivação". Convenhamos: o Campeonato Brasileiro de 2007 é um grande balaio de gatos. O São Paulo é o que sobrou de suportável - e o Inter, que seria o único time capaz de medir forças com o São Paulo (e superar!), decepcionou. Para criar notícia, para estimular a rivalidade, para excepcionalizar o folclore, a mídia afirma que o Gremio pode não conquistar a vaga na Libertadores porque o Inter vai dar um descanso de 8 dias para os seus profissionais - cumprindo o que a legislação exige e valorizando uma competição, a meu ver, interessante. Vamos combinar que se o Gremio ganhasse do Figueirense em casa, seria muito mais fácil se classificar; que se o Gremio empatasse um jogo fora - já notaram que o Gremio perde de 2x0 todos os jogos fora -, não dependeria tanto de resultados paralelos. Alguma coisa me diz que Santos, Flamengo e Cruzeiro ocuparão as três vagas restantes para a Libertadores. E a conquista dessas vagas não passa pelo Inter, ou melhor, passa tanto pelo Inter como por todos os 38 jogos do Campeonato Brasileiro. Só falta se queixar do Inter por termos praticamente entregado o empate para o Flamengo no Primeiro Turno, por termos tomado uma virada do Santos, por termos empatado com o Palmeiras uma partida que estava em nossas mãos, por termos perdido para o Cruzeiro no Mineirão exibindo um futebol preguiçoso! Quero dizer uma coisa: o Gremio não vai ganhar do América de Natal. O resto é paranóia de Wianey Carlet e outras "azedinhas" da imprensa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Esclarecimento: Pausa

Esta semana passei por alguns inconvenientes que me impediram de escrever no blog. Estive sem computador por quatro dias e, para piorar, o meu rádio e a minha televisão estragaram. Ainda assim, estou acompanhando o noticiário esportivo através dos jornais e, agora, também pela internet. Guardei um texto em estado bruto sobre o jogo entre Inter e Corinthians, mas não sei se ele ainda pode render frutos porque, ao longo da semana, a imprensa foi abordando assuntos que eu também tinha observado - por exemplo: a sistemática substituição do Magrão tem tornado o time deficiente na bola aérea (em razão da opção errada de seu substituto que, no domingo, deveria ter sido o Jorge Luiz).
PS: Pra não perder a viagem - quando o jogo parece estar definido, o Alex abandona o setor de marcação e assume uma posição centralizada onde ele acredita poder desfilar a sua técnica de lateral. Não é uma barbaridade? "o avesso do avesso..."

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Wianey Carlet - Roger estaria "namorando" na concentração

Reproduzo abaixo o texto na íntegra da denúncia contida na coluna do Wianey Carlet de hoje (11/10/2007):

"Roger, do Inter, é jovem, solteiro e pode ter quantas namoradas quiser. Só não pode marcar encontros amorosos na concentração. Faço a revelação, que poderá que me causar incomodações e constrangimentos, apoiado na expectativa de que ele assuma um comportamento profissional adequado e não empurre a fortuna para longe. A natureza o dotou de virtudes capazes de torná-lo um homem rico. Não é possível que seja incapaz de perceber o mal que está fazendo a si próprio. Ou que não tenha um amigo ou familiar para fazê-lo despertar. Embora muitas vezes não haja conselho que sensibilize. Em mais de 30 anos de convivência próxima com o futebol, já penalizaram-me vários exemplos de jovens que trocaram a realização financeira por uma vida obscura, sacrificada e miserável. Será este o objetivo de Roger? A felicidade está ao seu alcance, só depende dele. Basta que não chute para escanteio o que recebeu de graça. Estas considerações valem, também, para o Sidnei."

Caso o teor desta revelação seja procedente, espanta-me o começo de carreira turbulento do Roger. Ele teve uma ascensão meteórica: saiu diretamente dos campos de várzea para figurar no elenco de um dos principais clubes do mundo. Mesmo assim, é constantemente acusado de não ter se adaptado à condição de atleta profissional. Considero o Roger um jogador com um bom potencial: em quase todos os fundamentos (passe, drible, chute, visão de jogo, previsão da jogada, marcação...) é razoável, nada brilhante, simplesmente satisfatório e bom, mas, em compensação, sua condição atlética, ou melhor, sua capacidade de movimentação, arranque, manutenção de velocidade é excelente. Temo que não resista à campanha contra o seu afastamento. Ele próprio é o único capaz de se defender: menos com palavras do que com atitudes. Não é a minha intenção fazer um relatório dos "escândalos" em que ele já se envolveu neste curto espaço de tempo. Tampouco farei o papel do delator condescendente de sua estrutura familiar e sócio-econômica. Já passou da hora de conquistar a maioridade.

Confesso, contudo, que este texto do Wianey Carlet me pareceu um pouco obscuro. Primeiramente, espero que ele esteja sedimentado em dados concretos e verdadeiros. Quero acreditar que não seja leviano a ponto de criar uma polêmica tão séria sobre falsos boatos. Confiarei em seu histórico jornalístico. Porém, causou-me um pouco de desconforto. Em especial, cito a frase que finaliza este trecho, onde ele aconselha, oscilando entre o tom ameaçador e paternal, o Sidnei. Apesar da defesa intransigente do profissionalismo e de deixar transparecer um vago sentimento paternal, o texto se enquadra parcialmente na categoria do patrulhamento. A publicação deste suposto ato de indisciplina (ou deslize profissional), a meu ver, torna o ambiente ainda mais hostil para o Roger; também poderia sugerir uma crise no comando do grupo - exatamente no momento que o Inter se estabiliza (o que me faz concluir que se trata de uma crise fictícia - e que se limita meramente aos indivíduos mencionados). Independentemente do tom assumido, a "acusação" incinera uma espécie de microharmonia que o time estava encontrando. Não é à toa que o Sant'Anna identifica Wianey como um Torquemada. Esta decisão de atear fogo em Roger, logo após o jogador se contundir, e gerar uma onda de pressão sobre o jogador, é, no mínimo, uma atitude imprópria. Suas dissimuladas boas intenções são artifícios de comércio jornalístico. Entendo que um momento apropriado para divulgá-las seria quando Roger pudesse responder em campo. O papel em campo é a maior prova de profissionalismo. De outro lado, o jogador deve desfrutar de, pelo menos, igual publicidade para relatar sua versão sobre o fato - e, se realmente deseja jogar futebol profissional, defender-se mesmo que a revelação seja verdadeira: sem pedir desculpas e fazer falsas promessas, sem bom-mocismo e pio consentimento, mas com uma atitude firme e segura de quem está contribuindo para progredir na carreira, de quem está realizando um bom trabalho para o clube e cumprindo suas atribuições. Penso que o Wianey contribuiria mais se nos privilegiasse com uma opinião acerca do aproveitamento do Roger no meio-campo do Inter, ou sobre a constituição da estrutura do time...

Ah, e mais, alguém ainda tem que me explicar o prejuízo do sexo na concentração! Eu preciso conhecer a teoria franciscana da concentração do futebol.

PS: Pelo menos, se o Dallegrave fragá-lo, não teremos velhinhos horrorizados como no Olimpico. (rs)

Treinos Fechados

Auspiciosa a diminuição do número de treinos fechados. Esta medida, por si só, exerce uma determinada pressão para que o técnico estabeleça uma equipe base e forme uma idéia de time mais sólida. Houve uma mudança sensível no espírito de Abel: existem muito menos coelhos em sua cartola. A época da escalação-supresa ruiu. A ameaça da escalação do Adriano com tamanha antecedência, caso se realize, não deixa de ser um sintoma positivo, considerando-se o retrospecto do primeiro semestre com o Abel e com o Gallo.

O advento dos treinos secretos é fruto de um processo que supervalorizou a importância dos treinadores. Com isto, ganharam o status de enxadristas. Este erro, a meu ver, empobreceu a crítica de futebol - tornando o jogo demasiadamente mecânico. As jogadas e estratégias no xadrez são formuladas por princípios matemáticos, construções algorítmicas e estão catalogadas em uma vasta bibliografia de mestres. Mas xadrez é um jogo individual - onde o enfrentamento independe de uma série de fatores que atuam no futebol. O futebol é absolutamente imprevisível. Não impera nele qualquer determinação geométrica. Existe uma profundidade que envolve o universo psicológico e físico, a habilidade individual, as condições climáticas e territoriais, a organização e disposição tática, etc., etc... - e tudo isto numa escala assombrosa, e cada jogador, às vezes, é percorrido por uma inspiração superior. Nenhuma fórmula pode antecipar o jogo, senão de maneira aproximada e rudimentar. A lógica existe em longa duração, sempre ameaçada pela perversão. Mas a perversão da lógica não é o estado natural e constante do futebol! E os treinos fechados geralmente apostam na perversão e violação do normal. Excepcionalmente, podem ser úteis. Os treinos fechados devem se restringir a ocasiões especiais. Não podem ser a regra. São simplesmente exercícios de véspera e ante-véspera de confrontos diferenciados. Eis a díficil definição, facilmente manipulável, para confrontos diferenciados: Gre-Nal, decisões mata-mata e briga por título. Treino secreto em time que freqüenta a zona do rebaixamento é uma aberração. A metáfora do xadrez só pode valer para este combate único e singular. A construção regular do time deve conter repetição, convicção e medidas firmes que informem um plano geral. A mística singular de cada componente de um jogo de futebol deve gravitar no interior deste universo newtoniano das equipes bem ajustadas. Planejamento técnico de futebol inicia numa escalação acertada - onde estão amalgamadas a disciplina ao plano e a magia inventiva dos jogadores. Portanto, é válida e legítima a redução da análise do futebol ao modelo do xadrez, mas o treinador nunca manterá o mesmo controle sobre os seus jogadores do que o enxadrista que lida com peças de madeira.
(E, ironicamente, depois de uma preparação oculta e silenciosa, decide-se por Michel ou Magal ou Ramon, que é tão inútil quanto um cone, para não parecer implicância.)

Só mais uma observação (menos teórica e abstrata)! Os jornalistas não são espiões. A bipartição radical e odiosa existente no RS é demasiadamente cruel neste aspecto. Imagine você, vestindo a camisa do Internacional, indo a um banco, um supermercado, uma loja de roupas, etc.: você mantém a mesma desconfiança constante em relação ao seu atendimento? Isto é paranóico! A imprensa exerce um trabalho essencial e merece acompanhar os trabalhos diários - são os olhos de muitos torcedores (não estou dizendo que ela é objetiva e imparcial! e mais tarde escreverei sobre este assunto...). Assim como a presença física da torcida nos treinos incentivando também é importante - e os jogadores sentindo esta cumplicidade

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Sastifação com o Empate?

Para não dizer que não falei de flores:

Inteligente a declaração de Abel de que o empate lhe serve. Olhando a tabela, é compreensível - continuaríamos três pontos acima da linha do rebaixamento. Certo?...

O empate não é ruim; porém, contamos com todas as condições de sair do Pacaembu com uma vitória. E mais: o foco na ameaça do rebaixamento não me serve - é irreal. O desempenho do Inter indiscutivelmente contribuiu para este pavor disseminado pela imprensa esportiva, entretanto, o horizonte do Inter não permite visualizar esta hipótese. As projeções têm que ser realizadas com base nos dados disponíveis, com avaliação do plantel de jogadores de cada equipe envolvida, com exame da tabela de jogos e com o histórico recente. No nosso estado, é interessante para a mídia aquecer o ambiente e criar sonhos em seus torcedores-consumidores, e, neste final de campeonato, o maior sonho embala os gremistas: o possível rebaixamento do Inter. Este desvario coletivo - que a imprensa já difundiu na época da final da Libertadores - evidentemente não se confirmará.

Piadinha: O Inter não nos permitiu sonhar este ano. O que não é de todo ruim. Vejam, por exemplo, o martírio de nossos rivais. O ano só tem reservado humilhações e desapontamento aos gremistas. Primeiro foi aquele fiasco na final da Libertadores precedido pela insanidade geral. E agora o Inter apronta mais esta. Ameaça cair para a segunda divisão e, não só se mantém, como disputará a Sul-Americana do próximo ano. Em tempo: junto com o Gremio...

Abel não é idiota a ponto de ignorar a evidente diferença qualitativa entre Inter e Corinthians. A meu ver, foi uma declaração altamente astuciosa. Para consumo interno, tenho convicção de que a ordem e a preparação é distinta. O respeito e a moderação que estão pautando as entrevistas são sinais de que não cairemos na mesma armadilha armada para o Gremio. Não desejam se desviar do objetivo. A cautela é mais sábia do que o velho "vamos pra dentro deles". Se depender do Inter, o campo não será um picadeiro. Aposto que assistiremos a um time coeso e determinado a buscar a vitória, independente da escalação que Abel optar. Nos últimos jogos, o time não evoluiu apenas taticamente: a equipe está mais vibrante e guerreira.

Dúvida de Abel

Abel Braga está em dúvida se começa o jogo contra o Corinthians com Adriano no ataque. Com a introdução de Adriano, Fernandão seria recuado para a meia e, provavelmente, sairia do time Jonas ou Wellington Monteiro. Se esta hipótese se concretizar, Jonas vai para o banco. Não é preciso fazer nenhuma análise tática ou técnica: Abel tem preferências que independem de qualquer idéia de equipe. Não vigora a menor racionalidade. Particularmente, detesto improvisações.

A concepção de um time teoricamente mais ofensivo deve estar relacionada à preparação da equipe para o ingresso do Nilmar. Todos estamos eufóricos com as notícias do primeiro treino com bola do Nilmar. Ele é um jogador de exceção. Quero, no entanto, fazer algumas considerações a respeito desta provável alteração:

1. O time está adaptado ao esquema com quatro volantes. Creio que encontramos um "encaixe".

2. Adriano não é Nilmar. Nilmar é um jogador muito mais inteligente. Time nenhum precisa de um sósia de Nilmar para se adaptar previamente ao futebol dele.

3. Nossa condição na tabela de classificação não recomenda estas variações. O resultado sempre deve prevalecer.

4. Se o Corinthians possui um setor forte, deve ser o esquerdo onde transita o Gustavo Nery. Ao menos, é o único perigo que eu enxergo no Corinthians. Qualquer outro gol só pode ser causado por bola parada ou jogada casual.

Enfim, não é hora de mudança. Isto denuncia instabilidade e transmite insegurança e confusão. Não me agrada ver um jogador sendo volante numa seqüência de jogos e, em seguida, por capricho do treinador, ser escalado como lateral. Embora ele vá dar alguma justificativa durante a semana, ou erigir uma tese sobre o modo de jogar do Corinthians. De qualquer forma, suspeito que venceremos o jogo independentemente da escalação. O Corinthians tem um conjunto muito frágil. Em bom português, é um time medíocre. Se o Fernandão, por ventura, se juntar ao meio, não acho que deva ter um substituto no ataque.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Edinho renova

Notícia: A direção do Inter anunciou a prorrogação do contrato do Edinho até 2011 (31/12/2011). Assim, o volante ampliou em 1 ano o limite estabelecido no contrato anterior.

Ainda estou digerindo o anúncio. Queria entender a razão para ampliar um contrato que vencerá somente daqui a 3 anos. Mais: trata-se do Edinho, e não de Pato, Nilmar ou Fernandão. Há consenso entre a direção de que o Edinho é mesmo uma peça fundamental? Qual o temor que originou a revisão da data de encerramento do contrato? É impressionante, por outro lado, como foram incapazes de fazer uma proposta competitiva para o Fabiano Eller.

As categorias de base do Inter só formam volantes. Dê-se um desconto pela formação de bons atacantes nos últimos tempos, porém, a produção de volantes ocorre em atacado. É espantoso! O Inter B está uma paçoca. Tem volante jogando em tudo que é posição. Parece haver uma concepção que os volantes são capazes de executar todas as funções de um time de futebol. Se eles aprendessem, ao menos, o mínimo que se exige deles, a dar um passe de mais de dez metros...
Há quanto tempo o Inter não forma um meia de criação? O último suspiro foi o Luiz Fernando que era um jogador mediano. Para ser correto, o último grande articulador formado nas categorias de base do Inter foi o Paulo César Carpeggiani. Trinta anos de vácuo! É muito pouco para um time da grandeza do Inter.
Não vou exigir que o Inter forme um lateral-esquerdo. Seria o mesmo que exigir que um elefante dê à luz um rinoceronte. O único formado no Beira-rio foi abandonado na maternidade - e hoje está rastejando em Goiás, com a carreira precocemente encerrada (infelizmente é a mais pura verdade!).

A direção aguarda que o Edinho percorra o caminho inevitável de evolução dos símios. Julga já ter visto sinais de que ele esteja próximo do Homo Sapiens.
A única esperança é que sejamos salvos pelos orangotangos!

Foto:
Edinho maltratando a bola.

Humor

Piadinha: o Luciano Marreta foi a primeira sinalização de que o Olimpico será mesmo demolido.

A propósito: e a atuação do Léo Beckembauer, no sábado, contra o Palmeiras?
Segue o link de uma pilhéria sobre a "imortalidade tricolor":
http://www.youtube.com/watch?v=p2sicUfyIk0

Confiram, é imperdível!

PS:
Há também uma versão posterior adaptada pelos bananas. A resposta não poderia ser mais elucidativa. Mantém o tom arrogante e racista que lhes é característico. Provavelmente debocham dos quatro gauchões que enfileiramos no início do século (ainda que o bicampeonato gremista seja comemorado com ares de grandes façanhas e carreatas inesquecíveis como na vitória sobre o temível S.E.R. Caxias). Talvez estejam esquecendo que não chegaram sequer nas semifinais dos quatro anos anteriores. Camaradas, os nossos títulos recentes foram um duro golpe na soberba estúpida dos bananas. Recado para a imprensa: parem de citar o termo "torcidas" no plural. Separem o joio do trigo. São dois universos distintos.

Argentinização da torcida

Não entendi a torcida sábado. Antes do jogo, parecia estar mais preocupada com o "superclássico" argentino entre River Plate e Boca Juniors do que com a partida do Inter. Qualquer jogada bem sucedida era acompanhada por expressões satisfeitas e alegria escancarada. Belushi foi ovacionado - que nada mais é do que um Perdigão desfolclorizado. A cada toque de Falcão, ouvia-se um murmúrio de exaltação; porém, enquanto Gil infernizava os zagueiros do América, percebia-se no ar um tom de irritação. Parece que a moda que começou nas arquibancadas da Popular (que é uma adaptação da torcida rival - que, por sua vez, é uma paródia das barrabravas argentinas) vem se difundindo. Tudo que é argentino é superior. Só tenho a lamentar.

O cântico vitorioso da campanha da Libertadores do ano passado, decorado e entoado em coro por todos em êxtase febril:

"Colorado, colorado, nada vai nos separar
somos todos teus seguidores, para sempre eu vou te amar"

foi misteriosamente abandonado, banido das arquibancadas, em favor de cânticos longos e herméticos, mergulhados em sotaque castelhano, permitidos somente para iniciados. A antiga simplicidade do torcedor colorado, pura e original, parece ter se esvaído com os ventos argentinos e vem sendo forjado um novo estilo de torcer absolutamente inorgânico. As torcidas organizadas que resistiram ao advento desta nova ordem tiveram o seu papel quase esvaziado, e a Guarda Popular não combina com o espírito colorado. O Internacional obviamente tem uma torcida vibrante e que é capaz de cantar o tempo inteiro de um jogo, porém, não coloquem goela abaixo dela alimentos que ela não está habituada a ingerir. O estilo importado não nos é próprio. Os palhaços vestem fantasias de banana de pijama.

Abel Braga

O Abel é inegavelmente um técnico carismático. Não vou mencionar a identificação dele com o Inter, porque é desnecessária - e pode dar margem à complacência. Hoje só quero compartilhar pensamentos que envolvem a sua função profissional.

É indiscutível a ascendência dele sobre o grupo de jogadores. Tem controle total de vestiário. É um grande motivador e um torcedor à beira do gramado. Enfim, é um perito neste círculo secundário da profissão - o que, às vezes, influi negativamente na composição do time. Esta excessiva preocupação com o domínio secundário do futebol acaba interferindo na sua concepção de equipe. O técnico não pode recompensar com a titularidade um atleta somente por seu passado, por sua liderança e por outros critérios estranhos à esfera estritamente técnica. Há um determinado limite para estas proeminências, que não podem comprometer o desempenho do time.

A composição do banco de reservas é uma miscelânea. Jogadores medíocres devem ser afastados, porque uma hora podem entrar. A ironia é que pernas-de-pau consagrados como, por exemplo, Magal e Luciano Henrique não têm sequer posição. Já jogaram nas mais variadas funções e, no máximo, com atuações medianas. Tenho dificuldade em entender como os jogadores, com o Abel, transitam entre o extremo da titularidade e o da não-relação para concentrar.

O meio-campo é um amontoado de volantes. A grosso modo, o Abel treina o Inter há dois anos e nunca tivemos um meia capaz de dar um toque qualificado. Creio que o Fernando Carvalho acreditava que este homem seria o Pinga. Não é. O Perdigão foi o mais próximo que tivemos deste jogador - e foi dispensado. A opção pelo Edinho é incompreensível, principalmente porque joga do lado de um quase irmão siamês (Wellington Monteiro). A política de contratações inchou o Inter de volantes - e, talvez, amenize os erros do Abel neste ponto, mas o histórico do Abel, em relação ao setor de armação e criatividade do meio-campo, é imensamente desfavorável.

Basta de improvisações! Nunca mais Michel (que já foi tarde) ou Iarley no meio-campo! Sem Alex na lateral-esquerda! Repensar os quatro volantes no meio-campo... Mais racionalidade, por favor.

Sem problemas no ataque

O ataque está muito bem encaminhado. O problema será definir quem sairá quando o Nilmar estiver preparado. Entendo que o Gil não deva sair. É muito habilidoso, veloz e inteligente. Chega bem à linha de fundo, tabela rapidamente e marca sob pressão a saída de bola adversária. Não é um grande finalizador, mas acredito que, assim que marcar seu primeiro gol, amenizando a expectativa, seus arremates melhorarão. Ao mesmo tempo, não me agrada a idéia de recuar o Fernandão. É inteligente e técnico, mas não tem força e velocidade. Se o Fernandão recuar, o que é uma solução paliativa (mas uma hipótese bastante realista), quem sairá do meio-campo? Alex? Quem sabe o Gil não vai pra meia? (Perderíamos - ou reduziríamos? - uma forte jogada de flanco - E o Gil não é um articulador, não é um distribuidor, como se exige de um meia) Confesso que isto me deixa confuso. Aliás, o Inter não contratou um jogador para a quarta-posição do meio-campo. É uma ausência histórica. O mais próximo que tínhamos disto era o Perdigão.

Creio que Nilmar e Fernandão são unanimidades. Dispensam comentários. O Iarley voltará e deve ser banco. Adriano, apesar do bom desempenho, é meramente uma opção. Christian merece ser dispensado. Não acrescentou nada. (São opiniões totalmente particulares - É impossível não cometer injustiças quando se dispõe de tantos bons atacantes).

* Foto (para matar a saudade):
Nilmar derrubando a zaga adversária em velocidade e desviando do goleiro com um toque sutil.

O futuro do gol colorado

A polêmica é interminável, mas eu me arrisco a dizer que goleiro não é o nosso problema. A explicação para o fracasso e naufrágio total do Inter nesta temporada não passa pela definição do goleiro titular. O critério para a titularidade, como em todas as posições, deve ser técnico. A conquista da posição não pode ser baseada em condição etária ou preferência pessoal.
Pessoalmente, tenho muita admiração pelo Clemer. Escreveu uma história que deve ser respeitada. É uma grande injustiça que se enumere suas falhas e não se ressalte suas grandes defesas e suas participações decisivas para as vitórias. Mas, embora me pese reconhecer, deve encerrar o seu ciclo no Inter. Em entrevista a Band AM 640, o Giovani Luigi sinalizou que o goleiro para 2008 deve ser o Renan. A princípio, portanto, é possível que o Clemer não renove o contrato - o que é uma má notícia (mas, de outra perspectiva, o Muriel poderá acelerar o seu desenvolvimento)! O que deve ficar explícito e bem resolvido é: o Renan merece ser titular, é atualmente um melhor goleiro do que o Clemer - e ponto!
Renan é um goleiro com melhor saída de gol, melhor reposição de bola e joga melhor com os pés. Clemer e Renan se igualam em elasticidade e reflexo. Acredito que o Clemer seja melhor goleiro para sair nos pés do atacante, fechando o ângulo; porém, tem menos segurança em bolas chutadas em cima do seu corpo. Assim, acredito que, no cômputo geral, o Renan leva vantagem.

Sistema Defensivo

Premissa:
O 3-5-2 é uma excrescência. Está absolutamente descartado.

O sistema defensivo do Inter é preocupante. O fato de não tomar gol nos dois últimos jogos se deve antes à consolidação do meio-campo do que propriamente à solidez da zaga. Vai uma provocação: com o Wellington Monteiro, temos um primeiro-volante.

1. Pelos dois lados os laterais são deficientes na marcação (a rigor, são meias improvisados - embora o Élder Granja tenha se firmado na lateral). Abomino improvisações, especialmente quando se dispõe no plantel de jogadores razoáveis para a função. Jorge Luís e Rubens Cardoso, por exemplo, podem assumir a lateral-esquerda. Confesso que a estréia do Jorge Luís me impressionou. Não esperava grande coisa. Ele tem um porte físico bom, sabe tocar a bola e tem apoio qualificado, e deu a entender que é bom na bola parada, especialmente nas faltas laterais.
* E o Rubens Cardoso está se despedindo.
Estamos mal servidos de lateral-direito. O Élder Granja é um mistério. E o Jonas, assim como o Granja, não sabe marcar, é um pouco tosco, deve um acabamento melhor das jogadas, mas apóia com certa desenvoltura. Wellington Monteiro e Magal são invenções. Convenhamos, é muito pouco.

2. Sorondo é uma confirmação. Firme, não brinca. Se impõe fisicamente e parece ser líder. Não apóia, mas é um acréscimo fundamental na bola aérea ofensiva e defensiva. É titular incontestável.

3. A zaga central está em aberto. O Índio passa por um péssimo momento. Não é nem sombra do jogador do ano passado. Sábado, perdeu todas as disputas pessoais contra os atacantes modestos do América - inclusive, jogadas em que tinha total vantagem inicial. Claro que é uma opção interessante para o apoio, com os avanços pela direita, mas isto deve ser simplesmente um suplemento aos recursos que caracterizam um zagueiro. Talvez o Orozco mereça uma chance. Ao menos, me pareceu seguro. Temos que formar o time essencialmente por critérios técnicos.

Meio-campo

O progresso do meio-campo passa pela consolidação de uma idéia de meio-campo. A efetivação dos quatro componentes do meio-campo (Edinho, Wellington Monteiro, Guiñazu e Magrão) foi importante, mas é somente o começo de uma idéia mais harmônica:

1. Continuamos com dois quebradores de bola nas primeiras funções. O Edinho segue acampado entre os zagueiros, errando muitos passes e marcando com lentidão. Wellington Monteiro tem uma boa saída pela direita e é importante nas bolas paradas. Além disso, é tão essencial quanto o Edinho na bola aérea. Não é o meu primeiro-volante dos sonhos, mas é o que temos de melhor no momento. É preciso rever esta composição que compromete a nossa saída de bola - entre outras peripécias ocasionadas pelo Edinho.

2. Guiñazu e Magrão são titulares. O Magrão vem crescendo gradualmente e é um jogador que, aos poucos, está conquistando a torcida. É excelente na bola aérea, tanto defensiva como ofensiva, tem bom passe curto, tabela e chega como homem surpresa. Guiñazu, além de marcar com extrema eficiência, ter uma mobilidade assombrosa, tem um ótimo domínio e retenção de bola. Toca curto com qualidade, mas, como nada é perfeito, tem um defeito enorme para um meia de chegada (que, aliás, ele não é): não chuta de média distância e não é um finalizador.

ALEX
O time não deve ter improvisações a menos que sejam inevitáveis. E mais: é melhor que se improvise na lateral do que no meio-campo. Um jogador profissional não pode exigir a posição em que deseja jogar. Aliás, ele foi contratado para ser meia (e é para isto que tem aptidão). Alex não é lateral-esquerdo, até porque marca muito mal. Os benefícios que traz jogando na lateral são desprezíveis, principalmente porque contribuiria mais no meio. Alex, comissão técnica e departamento de futebol têm que refletir sobre o significado de profissionalismo. O time necessita de alguém com um bom último passe, que chute bem de média distância e tenha boa finalização. Este jogador é o Alex.

Inter x América


O Inter foi superior e mereceu a vitória. A crônica esportiva foi muito cruel em sua análise. É verdade que o Inter tomou demasiados sustos do "rebaixado" América, porém, deve ficar claro: o Inter dominou o confronto, sempre manteve o controle do jogo, e deu a impressão de que ganhou quando quis. Se fosse necessário, golearia. O aspecto preocupante é não definirmos o jogo. Numa jogada casual, o adversário pode mudar a história do jogo (até porque o Abel logo se apequena)...


É difícil estabelecer bases duradouras diante de um adversário tão fraco.

Primeiro Post

Este é um projeto derivado de uma paixão. Tenho um outro Blog dedicado exclusivamente a exercícios filosóficos e literários; porém, por mais que eu ame com todas as minhas forças a literatura e a filosofia, e recentemente também a música, elas são elementos etéreos. Eu cansei de ouvir a minha própria voz; cansei de discutir com o Vazio. O espaço inaugurado neste Blog serve para discutir as questões relacionadas ao Internacional. Espero que seja um lugar de debate elevado sobre o universo do futebol (psicologia das torcidas, esquema e formação das equipes, discussão tática e, é claro, muito bom humor e ironia com os nossos rivais).